COVID-19: Atitude “criminosa” impede médica do Centro de Saúde de prestar serviços no Lar Pereira de Sousa

Equipa de saúde tem agora apenas um enfermeiro disponível

 

No dia em que o número total de infectados no Lar Pereira de Sousa, uma das duas unidades de acolhimento para seniores da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, subiu para dezanove, a instituição viu reduzida a sua equipa médica a uma enfermeira.

Em carta enviada à Direcção-Geral da Saúde, Conselho de Administração da ULSAM e entidades politicas e de saúde locais, o provedor Misericórdia melgacense dava nota do “criminoso” abandono da assistência aos utentes e colaboradores da instituição.

 

A missiva refere ainda a “recusa” do INEM em transportar “dois utentes, ambos com febre há vários dias e imunidade muito baixa, além de outros sintomas” por considerar que “não reuniam critérios”, tendo os utentes de permanecer aos cuidados do Lar.

O desfalque na equipa médica, composta por uma médica a tempo parcial e três enfermeiros, verificar-se-ia também no mesmo dia (10 de Abril), depois de uma das enfermeiras ter acusado positivo no teste para COVID-19 e outro enfermeiro estar em casa, com sintomas, à espera do resultado do teste.

“A médica que nos está a apoiar nesta fase presta também serviços no Centro de Saúde de Melgaço (que se encontra em serviços mínimos) e no COVID de Viana do Castelo. Hoje mesmo [ontem, 10 de Abril] fomos informados pela médica que lhe havia sido transmitido pelos superiores hierárquicos, de que não podia continuar a prestar serviços presenciais no nosso Lar, por haver infetados”, explica a carta enviada pelo provedor Jorge Ribeiro à DGS, autarquia local e órgãos de saúde.

 

“Desta forma, a partir deste momento, a nossa equipa de saúde resume-se a uma enfermeira. Os representantes do Ministério da Saúde, não recebem os nossos doentes, apesar de reunirem os critérios definidos nos protocolos, obrigando-os a ficar aos cuidados do Lar, devolvem os doentes positivos para COVID e ao mesmo tempo proíbem a médica de prestar serviço no Lar porque tem doentes infectados. Classificamos este comportamento da saúde de criminoso, abandonando as pessoas, utentes e colaboradores à sua sorte, não dando o apoio a que estão obrigados e usando de mecanismos inaceitáveis para nos retirar os nossos profissionais da saúde”, denuncia a provedoria da Misericórdia melgacense.