Melgaço prepara instalação de incubadora tecnológica de referência para a região


João Martinho


“Permitirá que as gerações mais novas tenham ligação à tecnologia ao mais alto nível”, garante Manoel Batista

 

Com a reconversão do antigo edifício da Altice (anteriormente PT) em incubadora tecnológica, o município de Melgaço pretende mobilizar para o renovado espaço os serviços de componente digital da autarquia e tornar esta valência um apoio para toda a região.

O projecto a desenvolver a breve trecho contará com o apoio de fundos comunitários no âmbito da CIM Alto Minho e do programa de cooperação transfronteiriça Interreg e envolverá, além de Melgaço, os municípios portugueses de Paredes de Coura e Vila Nova de Famalicão, assim como o município espanhol de Ourense.

Manoel Batista destaca – em declarações a este jornal, à margem da inauguração da torre de comunicações ilustrada com a identidade do concelho – a “experiência interessante” que o município galego tem desenvolvido no contexto “das incubadoras da área tecnológica” e pretende criar um espaço que apoie empresas, mas também a aproximação nas novas gerações à tecnologia de ponta.

“Permitirá que as gerações mais novas tenham ligação à tecnologia ao mais alto nível, àquilo que se faz em programação, em impressoras 3D e em desenvolvimento tecnológico muito avançado”, avançou o autarca, em linhas gerais. Além da utilização formativa, os equipamentos a instalar poderão ser um suporte para aplicação associada “aos produtos locais” ou empresas ligadas à área tecnológica.

 

5G: “Esmagadora maioria das pessoas não vai tirar partido dessa tecnologia”

 

Luís Alveirinho, Chief Technology Officer da Altice Portugal, esteve em Melgaço para assinalar uma das primeiras concretizações da parceria firmada em Novembro de 2019 e garantir que Melgaço faz parte da rede de utilizadores ligados “às auto-estradas electrónicas de comunicação”, cuja importância se evidenciou durante a primeira vaga da pandemia Covid-19.

Segundo o representante da Altice, a fibra óptica chega já a 5,4 milhões de casas do país, com 4 milhões de quilómetros de fibra – equivalente a cem voltas à Terra, que tem de perímetro 40 mil quilometros – mas o salto para o 5G não será uma preocupação do utilizador comum nos tempos mais próximos.

A primeira das três torres a instalar no concelho tem a componente artística mas também olhos no futuro e preparada para instalar a tecnologia 5G… Quando chegar.

“Estas torres estão totalmente preparadas para que, quando houver 5G, possamos implementar essa tecnologia aqui. No entanto, a esmagadora maioria das pessoas, pela utilização normal no dia-a-dia, não vai tirar partido desse tipo de tecnologia. Nos primeiros anos, o 5G vai ter muito mais expressão nas empresas, na indústria 4.0, para automatização de processos industriais”, esclarece Luís Alveirinho.

Além das questões políticas, que tem chamado a atenção do mundo para o mercado desta tecnologia, prendem-se também algumas questões de hardware, para a utilização comum. “As pessoas terão alguma vantagem, mas para terem acesso à tecnologia 5G vão ter de alterar os seus equipamentos terminais, comprar outros telemóveis”, observou o representante da Altice Portugal.

Sobre a perspectiva de instalação de tecnologia de vanguarda no edifício cedido para utilização à autarquia, Luís Alveirinho admite que a empresa “vai acompanhar” o projecto e admite parceria. “Se houver projectos em que estivermos directamente interessados, vamos envolver-nos a fundo e trabalhar directamente com o município”, assegurou.

 

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