Ana Gomes em Melgaço: Candidata quer regionalização no centro da discussão das presidenciais 2021

A ex-eurodeputada e candidata às presidenciais de 2021, Ana Gomes, esteve hoje (8 de Dezembro) em Melgaço para conhecer a realidade do território e dois casos específicos de funcionamento do concelho na área da economia do vinho e do ensino.

Guiada nesta visita por Manoel Batista, presidente da Câmara Municipal de Melgaço e mandatário da campanha de Ana Gomes para Alto Minho, a candidata veio ao concelho mais a Norte perceber a realidade da adega Quintas de Melgaço e ouvir os problemas do ensino profissional, pela voz dos responsáveis da Escola Superior de Desporto e Lazer (do IPVC), que são também “os problemas de outros politécnicos”.

Em declarações ao jornal “A Voz de Melgaço”, a candidata defende ainda que a regionalização vai voltar à agenda da sua campanha e promete ampla discussão sobre o tema. Para já, até ao dia em que os portugueses são chamados a votar para a presidência da República, a 24 de Janeiro de 2021.

Aponta o dedo a Marcelo Rebelo de Sousa e a Aníbal Cavaco Silva por terem sido, enquanto chefes de Estado, bloqueadores deste reforço do poder local. “O actual presidente da República e o seu predecessor, ambos do PSD, têm sido os grandes travões do processo de regionalização”, sublinhou Ana Gomes.

Sobre a visita à adega Quintas de Melgaço, elogiou “o grande trabalho que está ali feito, por pessoas que tem grande competência técnica e visão estratégica” no aproveitamento da produção local. Da visita à Escola Superior de Desporto e Lazer, ao fim da manhã, enalteceu o “trabalho notável na formação de profissionais” deste pólo de ensino do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, alertando ainda a este propósito para os problemas dos politécnicos quanto ao “relacionamento com as universidades e o reconhecimento das suas extraordinárias capacidades” enquanto instituições de ensino superior.

Para o confronto em período de campanha, Ana Gomes promete trazer para cima da mesa o tema que a direita recusa enfrentar.

“É um tema essencial da minha campanha e um tema estratégico para o desenvolvimento do país, do meu ponto de vista. O actual presidente da República e o seu predecessor, ambos do PSD, é que tem sido os grandes travões do processo de regionalização”, aponta a candidata, defendendo que é este modelo de competências regionais que o país precisa “para fazer face aos desafios de desenvolvimento que tem pela frente”. “Está a ser demonstrado com a capacidade de o poder local recorrer à emergência social que resulta da crise sanitária”, reforçou.

“O poder local com meios, com capacidades de decisão é fundamental para aproveitar as sinergias transfronteiriças que estão aí à nossa espera e não tem sido suficientemente aproveitadas por Portugal, sobretudo dando centralidade aos territórios do interior, como é o caso de Melgaço”, sugere a candidata Ana Gomes,  considerando que “Portugal está a perder oportunidades das sinergias com Espanha” que estão no quadro das políticas europeias, devido aos obstáculos ao processo de regionalização.

“Ao contrário do que dizem os opositores, não é verdade que o processo de regionalização tenha de ser um processo de descentralização da corrupção”, observou Ana Gomes, defendendo que o processo “tem de ser um “processo de descentralização do controlo democrático”.

Sobre os temas fracturantes da sua campanha, desde que anunciou a corrida a Belém, a equipa que a acompanharia neste processo e as causas que defende, a ex-eurodeputado socialista não repensa as escolhas: “Quem gostar e confiar em mim, vote em mim, quem não gostar, paciência!”.

“Tenho muito orgulho em ter como meu apoiante e organizador da campanha Paulo Pedroso, pessoa que considero das mais capazes neste país e que foi miseravelmente injustiçada. Tenho muito orgulho em que trabalhe comigo”, frisou, quanto ao ex-ministro do Governo de António Guterres, implicado no caso Casa Pia, livre de quaisquer acusações.

Quanto a Rui Pinto, no centro das atenções devido aos casos Football Leaks e Luanda Leaks, Ana Gomes reitera a posição já manifestada publicamente de que o hacker “fez um serviço notável a Portugal e a muitos países ao expor a grande criminalidade organizada, que se vale dos esquemas financeiros para roubar recursos”.

Os dois casos estão longe de gerar consenso, sobretudo junto da camada jovem que a candidata tenta chamar para a discussão política, mas a candidata não vai mudar o discurso. “Eu não faço nada que seja contra os meus princípios e os meus valores para me vender por votos”, frisou.