52% dos europeus tem planos para viajar nos próximos seis meses. Excessiva ilusão da normalidade ou bom sinal para o turismo?


João Martinho


Um inquérito realizado pela European Travel Commission (ETC) no final de 2020, traduzido em números e divulgado em meados de Janeiro de 2021, indicava que mais de 50% dos europeus inquiridos sobre viagens em altura de pandemia diz pretender viajar nos próximos seis meses, um terço dos quais já na Primavera e principalmente para lazer.

O questionário da entidade europeia de turismo foi realizado precisamente no período em que o Velho Continente gozava de uma certa ‘paz podre’ que fez baixar a guarda e ansiar por uma Primavera com laivos de ‘normalidade’.

Contudo, se por um lado é um metafórico sinal de perigo amarelo sobre as nossas cabeças e que deve fazer os países europeus pensar duas vezes antes de “mandar desconfinar”, para não repetir o periclitante confina/desconfina; por outro lado é um refrescante sinal de que há vontade de retomar a normalidade, sobretudo no que respeita ao sector do turismo.

Segundo o inquérito, 52% dos questionados afirmam ter planos para viagens de curta duração ou querer viajar nos próximos seis meses.

“Apesar de se assistir a novos ressurgimentos da Covid-19 na União Europeia (UE), o que tem motivado também novas medidas restritivas para conter os surtos, a confiança dos viajantes europeus tem vindo a melhorar, sendo que 32% dos inquiridos indicaram que pretendem fazer uma viagem já na Primavera”, noticiava a agência Lusa.

O mês de Fevereiro começou já com notas de recomendação para ficar em casa e com meia quinzena embargada para a esmagadora maioria dos sectores. A Primavera está a menos de dois meses de calendário.

Urge cumprir e fazer cumprir – a Constituição da República também, é certo – as recomendações de higiene e distanciamento social, mas ainda que o Governo determine a restrição ou a libertação com solidez e não com a aparente experimentação de quem governa através do Facebook, em busca de uma consensualidade impossível porque… Somos quase dez milhões de cabeças a emitir opinião, cada um pela sua.