Fernando Alves transmite manhã da TSF de 19 de Abril a partir de Cevide


João Martinho


Entre as 8 e as 10 da manhã, TSF inaugura desconfinamento com proposta para ir para “o mais longe possível de Lisboa”

 

Nesta segunda-feira, 19 de Abril, a localidade que guarda o marco Nº1 da nação portuguesa desde o Tratado de Limites entre Portugal e Espanha (que se realizou a 29 de Setembro de 1864), recebe a visita da TSF e de uma das vozes mais aclamadas da rádio: O jornalista Fernando Alves, um dos fundadores da cooperativa que daria origem à TSF e actualmente ao comando da emissão da manhã da rádio que tem como mote “ir ao fim da rua e ao fim do mundo, emitirá a partir de Cevide entre as 8 e as 10 horas da manhã do dia 19.

A emissão, a partir de estúdio improvisado em casa de Mário Monteiro, o cevidense de que temos falado na última década a propósito desta sua luta para colocar Cevide no mapa da História do país, contará com “quatro ou cinco blocos” de entrevista/conversa onde o lugar da freguesia de Cristóval (Melgaço) é o ponto de partida para histórias de amor, venturas e desventuras de quem corre por amor à terra.

O jornal “A voz de Melgaço” esteve à conversa com Fernando Alves em véspera desta emissão, e quisemos perceber que ‘novas’ chegaram do alto Minho até Lisboa que motivassem a equipa da rádio a subir no mapa até ao princípio do território luso.

Esta “emissão especial” marca “o início do desconfinamento quase geral e a minha proposta era ir para o sítio mais longínquo de Lisboa”, começa por revelar-nos Fernando Alves, na sua visita ao marco Nº1, com o rio Trancoso em fundo.

“Tinha lido alguma coisa sobre Cevide e que este homem (Mário Monteiro), sobre o qual encontrei várias referências, seria o cicerone ideal para essa operação. Instalamos a mesa em casa do Mário – com alguma coisa que se beba, uma coisa leve, porque é de manhã – e conversamos sobre o que o prende a este lugar. E não tenho dúvidas de que o que o prende a este lugar não é muito diferente daquilo que me prende á rádio: Uma corrente emocional muito grande, que não se explica facilmente”, conta-nos o homem da rádio que já mereceu, em 2010, honras de condecoração pelo Presidente da República com o título de comendador da Ordem de Mérito Civil.

É em Cevide, “um paraíso escondido das grandes cidades” onde há “pedras com memória” que a rádio notícias inaugura o seu desconfinamento das grandes cidades e inicia a sua campanha em prol de novos recantos do país. “Espanta-me muito que lugares como este, não sejam mais montra mediática”, nota Fernando Alves, afirmando esta escolha acertada de ir “até onde chegar o gasóleo”.

“Este é um lugar de fronteira, de início de caminho. E o que é decisivo na rádio, como na vida, é um fio, ir pelo fio, esticar o fio”, observou ainda.

Quiçá, talvez também esta emissão assinale o tiro de partida para afirmar a “apetência por lugares mais escondidos, para fugir a lugares de contaminação, lugares onde o bicho não se tenha infiltrado”, sugere Fernando Alves, que deixa ainda boas impressões de outras experiencias que já assumiu ter feito nesta ainda breve visita.

Foi recebido com um Alvarinho, ex-líbris do concelho, mas da colheita que carrega o nome “Aqui começa Portugal”. Este vinho tem também a sua história e método ancestral que o torna sujeito à criação de depósito no fundo da garrafa. “É um vinho diferente, é turvo, mas é um depósito que não é sujidade, é alma”.

A emissão da manhã da TSF – das 8h às 10h – será também um importante contributo para a alma de Cevide e identidade de Melgaço que merecerá certamente ser depositado nos registos da história do concelho mais a norte de Portugal.