AUTÁRQUICAS 2021: José Passos Rodrigo quer indústrias criativas, serviços de ponta e assembleias municipais e de freguesia transmitidas via online


João Martinho


PSD apresentou listas à Camara e 5 juntas de Freguesia

 

O Partido Social Democrata apresentou, a 13 de Agosto, as listas candidatas à Câmara, Assembleia Municipal e a cinco das treze assembleias de Freguesia do concelho de Melgaço. A sessão decorreu na Praça da República, reunindo candidatos, algumas das figuras dos órgãos distritais do partido e deputados na Assembleia da Republica, neste apoio aos candidatos locais.

José Passos Rodrigo, analista e consultor de gestão empresarial, lidera a candidatura à Câmara Municipal de Melgaço nesta reactivação de actividade da estrutura local do partido, promovida através de Comissão Administrativa encabeçada pelo advogado e professor Manuel Fernandes, natural de Castro Laboreiro.

O candidato à liderança autárquica pelos social-democratas foi o último a discursar e pautou o seu programa pela promessa de dar “mais enfoque à criatividade e à inovação”.

Residente no concelho há mais de uma década, José Passos Rodrigo passou em revista os números da perda populacional de Melgaço que os censos retrataram em período idêntico e sublinhou a urgência em “criar condições para captar investimentos empresariais, industriais e serviços de ponta, com actividades centradas na criatividade, inovação tecnológica, na habilidade e no talento”.

Defende que o fortalecimento da economia local passará também pelo incentivo à formação profissional, “valorizar a proximidade à Galiza” e a criação de “uma verdadeira e sólida associação empresarial que, por sua vez, deverá ser preenchida de acordos de cooperação e de parcerias com outras associações e confederações empresariais do país”.

Entende que deve ser retirado dos ombros dos viticultores e produtores de vinho Alvarinho o peso enquanto motor económico do concelho. “Não podem sozinhos continuar a manter à superfície um concelho que tem tantas outras excelentes potencialidades e que não estão a ser aproveitadas, nem sequer têm traduzido mais-valias para a região”, notou.

A geração mais jovem, deixou a promessa de colocar a nova geração de melgacenses entre as “prioridades”, enfrentando a escassez de oportunidades de emprego qualificado com a criação de “condições de fixação e incentivando os seus regressos”.

Na agenda do candidato social-democrata estará ainda o apoio aos privados “que se disponibilizem a colocar os seus imóveis no mercado de arrendamento e mesmo requalificar o património imobiliário”, e no que respeita ao turismo, a redefinição das áreas de exploração, trazendo “valor acrescentado” para as valências caracterizadas.

José Passos Rodrigo aponta ainda “riqueza florestal e agrícola” como um activo a valorizar através de “gestão sustentável”, promovendo condições com os proprietários de terrenos abandonados ou baldios a “implantação de actividades agrícolas ou pecuárias, a título de arrendamentos ou concessões, dando oportunidades aos jovens ou outros interessados, de neles poderem produzir”, especificou.

No âmbito do exercício autárquico, o candidato do PSD propõe que “todas as Assembleias da Câmara e assembleias das Juntas de Freguesia, para além das participações presenciais, sejam participadas e partilhadas, conjuntamente, via online pelos munícipes”.

 

José Albano Domingues: “O que se vende lá fora é uma realidade de Melgaço que eu não conheço, e lamento”

Antes das linhas mestras avançadas por José Passos Rodrigo no seu programa de candidatura à Câmara, o recandidato à Assembleia Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, fez uma retrospectiva do exercício autárquico dos últimos anos, do qual faz parte enquanto deputado pela coligação PSD-CDS desde 2017.

A “urgência” do sector industrial foi uma das peças fortes do advogado e recandidato à presidência da Assembleia Municipal melgacense.

“Há um estudo que diz que em quatro anos [uma zona empresarial] tem de estar infraestruturada e pronta a receber investimento. Esta é uma reivindicação nossa, da minha lembrança, há mais de quinze anos. Foi anunciada por este executivo há quatro e hoje ainda mal saiu do papel. Há poucas semanas foram enviadas máquinas para o local, para destruir o coberto vegetal, para dizer que temos obra, que a zona industrial é uma realidade. Estamos muito longe disso. O tempo urge. Ontem era tarde”, atirou.

Sobre o sector do turismo, José Albano Dominges critica a alegada falta de resposta à expectativa pela campanha que promove Melgaço como “Destino de Natureza mais Radical de Portugal”.

“A marca Melgaço não pode ser vendida la fora como destino de natureza mais radical de Portugal. Era bom que se fizesse. As pessoas que vem visitar-nos, à procura deste ponto radical, desabafam dizendo que se sentem defraudadas por virem com grandes expectativas e pouco mais do que rafting no Rio Minho poderem fazer”, notou.

O recandidato e personalidade de referência da oposição política local ao longo das últimas duas décadas criticou ainda a estratégia de captação de novos residentes.

“Não podemos gastar milhares de euros em campanhas como Viver em Melgaço e depois verificar que se resumem a pouco mais do que isenção de taxas de urbanização e edificação, para quem queira construir, e isenção de Imposto Municipal sobre Imoveis (IMI) por um período limitado. Ninguém vem para Melgaço a troco de uns euros, nem que seja umas centenas. Temos de ser impactantes e realmente inovadores, com condições que nos diferenciam dos outros”, sugeriu.

José Albano Domingues apontou também as lacunas das infraestruturas, dos transportes e as incongruências do valor das rendas em Melgaço.

“Apregoamos a aposta no turismo, mas se alguém vier até ao aeroporto do Porto ou de comboio até Valença, não tem ligações para vir até Melgaço. Como é que vamos vender o território se não temos forma de nos deslocar para cá?”, apontou.

Sobre os investimentos nas condições de habitação, com um estudo que sugere que a “renda média em Melgaço é de 217 euros” e por isso “cara e afasta eventuais interessados”, o candidato acusa a avaliação de não ser coerente com o plano de pagamentos a 15 anos de um terreno “que neste momento é uma coutada de pouco mais de 2000 metros quadrados de mato e arvores, para instalar construções modulares (bungalows)” – destinada a instalar alunos da Escola Superior de Desporto e Lazer –  com uma renda mensal de 1200 euros (216 mil euros a 15 anos). “Porque não utilizar esse dinheiro para recuperar edifícios públicos livres e devolutos, transformando-os numa residência estudantil e trazendo vida ao centro da vila?”, questionou o candidato.

(…)

Texto na íntegra na edição impressa de Setembro do jornal “A Voz de Melgaço”.