Projecto de renovação dos Bombeiros de Melgaço tem de começar já

Corporação iniciou procura de terreno para novo Quartel e pede formação e meios para lidar com tecido industrial

 

Com um efectivo de 52 elementos, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço quer renovar-se e adaptar-se às exigências, quer em termos de instalações, quer em preparação dos elementos.

Prestes a promover seis estagiários a Bombeiros, para que estes integrem a missão voluntária, lançaram já uma nova campanha de recrutamento para jovens e todos aqueles (até aos 45 anos) que queiram “fazer a diferença”.

Apesar do reforço da equipa de combate a incêndios durante o período crítico de Verão, José Codesseira, 2º Comandante da corporação – Comandante interino há dois anos – diz que pouco ou nada mudou na prevenção e que ainda não há sinais de que os avisos de uma fiscalização mais efectiva à limpeza de terrenos está a surtir efeito.

“Grande percentagem da floresta portuguesa é privada, não é do Estado, e o que se vê é que a floresta não é rentável, há um abandono da floresta de ano para ano. Não é feita a gestão do combustível, começam a acumular e a reunirem-se condições propicias a termos grandes incêndios”, atirou, em primeira análise.

 

“Sinceramente, não vejo mudanças nenhumas a nível de prevenção. Estamos aqui para ajudar e resolver, mas nos fazemos parte do combate. Se não houver prevenção, o combate vai ser mais difícil”, reforçou.

Sugere que o controlo e limpeza de caminhos de montanha deve ser mais efectivo e mais próximo do considerado período crítico para a ocorrência de incêndios.

“O ano passado, uma máquina de rastos, andou a abrir alguns trilhos, mas é certo que a vegetação cresce muito rápido e facilmente o caminho que o ano passado estava desobstruído este ano já não está. Tem de haver manutenção anual e mais próximo do Verão, porque haver uma manutenção de acessos em Novembro ou Dezembro não vale a pena. Tinha de haver manutenção a partir de Março”, indica José Codesseira.

Num contexto onde há manchas florestais ou montes onde as ignições “às duas da manhã” demonstram que “há interesse que arda”, José Codesseira recorda uma ocorrência em 2020, em que só a presença da máquina de rastos – que andava a abrir acessos precisamente naquela zona – evitou que um incêndio pusesse povoações em risco e reduzisse o período de combate de uma semana para 12 ou 13 horas.

Contudo, aprendeu-se com a tragédia de 2017 a evitar o pior. “Hoje em dia, a prioridade é garantir a segurança das pessoas e depois dos seus bens. Aprendeu-se com Pedrógão”.

A perigosidade dos incêndios, sobretudo nas povoações de montanha, aumentou com o fim da agricultura de pequena escala, baixando a guarda natural das localidades.

“Hoje em dia é monte. Essa protecção às aldeias deixou de existir. Se fosse cumprida, a limpeza dos tais 50 metros [em torno de habitações] facilitaria o combate numa aldeia”, considera o 2º comandante da corporação de Melgaço, notando, no entanto, que são os organismos estatais de conservação da floresta e os serviços municipais que devem acautelar a floresta pública e à GNR a fiscalização do estado de conservação.

Formação e equipamentos: Preparar meios para as ocorrências urbanas e industriais

 

Com o propalado aumento da expressão empresarial no horizonte, o Comandante interino da corporação melgacense considera ser o momento ideal para formar os Bombeiros e ir pensando o parque automóvel para o que aí virá.

Sem uma viatura vocacionada para as ocorrências urbanas e uma de desencarceramento com mais de trinta anos, José Codesseira admite ser mais vantajoso pensar-se em actualizar as respostas de emergência e completar o parque automóvel com equipamento capacitado para mais valências.

“A nossa casuística, tanto de acidentes como ocorrências em urbanos ou industriais é baixa, mas quando surgem, temos de ter capacidade de resposta. E esta capacidade não é só ter meios humanos e formados, é também que tenham equipamentos de protecção individual e viaturas para esse fim”, considerou, indicando a falta de viatura equipada para ocorrências urbanas ou industriais.

“Quando há ocorrência, andamos com as viaturas florestais a fazer combate em urbanos ou industriais. Com a aposta do município na industrialização, temos mesmo de ter uma viatura dedicada para esse fim e apostar na formação dos bombeiros”, sugeriu.

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Texto na íntegra na edição impressa de Setembro do jornal “A Voz de Melgaço”