#És Cura | Dezembro 2021: Tempo de celebrar as vitorias alcançadas?

 

Em pleno inverno (aqui no nosso hemisfério), temos já os dias em que a luz dura pouco tempo e a noite escura é do tamanho XXL. O vento que sopra é bem gelado, e mesmo sem a chuva que fustiga, lembra-nos como é uma bênção ter casacos quentes [e luvas, e gorros, e cachecóis…] para nos proteger do frio.

Apesar destas sensações, que nos puxam para o conforto quente de uma lareira [ou de qualquer outra fonte de calor], Dezembro tem também um encanto que aquece o coração, porque traz o Natal, a esperança do amor e dos bons desejos, e tudo o resto que ele representa. Traz uma grande ênfase no aconchego da família e união, não apenas  com os nossos [no nosso círculo mais próximo], mas com a nossa família humana, com os outros seres com quem partilhamos o planeta: e sente-se uma onda de solidariedade que nos chega de muitos lados. Ainda que, com as máscaras que agora nos acompanham permanentemente, nem sempre se consiga perceber o sorriso no rosto das pessoas, há um calor humano que se espalha como uma onda de energia, mesmo entre desconhecidos.

Era frequente as ruas terem os embalos das músicas natalícias, com o colorido das decorações das luzes e as pessoas passeavam nestes espaços com todo o seu corpo a desejar «feliz natal» aos que passavam por elas. Acredito que essa magia continuará a acontecer, mesmo com restrições e ajustes que temos que continuar a respeitar e a cumprir. Porque o Natal também é (para não dizer «é sobretudo») o cuidado pelo/ com o Outro!

Natal em Melgaço Foto: JM/AVM

Para além disto [como se isto não fosse já tão grande!], este mês, ao ser o que encerra o ano, é aquele onde se olha para trás e se pensa no que se andou a fazer [e a não-fazer] nos outros onze.

É aquele mês em que se pensa nas resoluções da noite de passagem de ano [aqueles desejos convictos, assumidos com as uvas-passas numa mão e a taça de espumante na outra] e se avalia se se transformaram, efectivamente, em decisões e accões concretizadas. Mesmo que até nos possamos enganar a nós mesmos [«tive pouco tempo», «não consegui fazer», «aconteceu-me tanta coisa que não deu para fazer», «fui muito ambicioso/ambiciosa», «aquilo não conta, é só uma tradição»], Dezembro é o avaliador implacável que dá conta se o que andamos a fazer esteve, realmente, alinhado com aquelas «decisões» cheias de boa-vontade!

Sim, porque se quisemos entrar neste jogo de criar desejos, se os afirmamos naquela euforia do ano novo, era porque eles tinham algum significado ou motivação especial para nós! E não podemos agora dar desculpas de ser só «um faz-de-conta»: tem que haver algum compromisso no que queremos alcançar.

Por isso, depois de termos já arrancado este Dezembro de 2021 [que é quase ano velho], a grande questão que se levanta é que tipo de respostas vamos obter dessas perguntas. Será que este mês é o de celebrar as vitorias alcançadas, ou será que, quando estivermos prontos para saltar para 2022, voltaremos a repetir os mesmos desejos [que continuarão a ser «meros desejos» enquanto não os transformarmos em conquistas?

Ainda temos algum tempinho antes de chegar a esse momento da transição: o que é que podemos pôr em prática [aqui, agora e durante as próximas semanas] para que terminemos o ano a afirmar, orgulhosamente «Consegui!»?

 

Com carinho e votos de uma boa despedida deste ano,

PaulaAlves