Ministra da Coesão Territorial visitou Cevide: ”Estou satisfeita com o exemplo que o Mário e a Helena são, do valor que dão às suas raízes”  

 


João Martinho


 No dia em que visitou Melgaço para ver de perto o andamento das obras da Zona Empresarial do Peso e marcou presença na sessão de abertura oficial da Festa do Espumante, a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, acedeu ao convite de Mário Monteiro para conhecer a terra natal do promotor de Cevide e do Marco nº1, onde Portugal começa.

O convite tinha sido feito por Mário Monteiro a Ana Abrunhosa noutra ocasião e a representante do governo aproveitou o périplo em Melgaço para visitar o património edificado e os projectos que a autarquia, mas também o casal Mário e Helena, a esposa, tem para o seu património neste torrão fronteiriço.

Após visita ao marco nº1, à Capela de Santo António e à adega (ou loja) sob a casa de Mário monteiro, a Ministra da Coesão Territorial esteve à conversa com o jornal “A Voz de Melgaço”, onde manifestou as primeiras impressões do que ouvira e da vontade dos “resilientes” dos territórios do interior.

“Fui convidada pelo Mário, de Cevide, como exemplo de uma pequena aldeia com poucos habitantes e um exemplo do que podemos fazer para valorizar os territórios do interior. Vim visitar o primeiro marco de Portugal e perceber o projecto do Mário e desta aldeia que tem os passadiços, uma ponte que atravessa para Espanha, uma capela recuperada. Devo dizer que estou satisfeita pelo exemplo que o Mário e a Helena são, daquilo que são os nossos portugueses, do valor que dão às suas raízes”, destacou.

 

Sobre o passado da aldeia, e as suas particularidades, Ana Abrunhosa diz que é pela diferença dos sítios que se tornam particularmente interessantes para o turismo.

Esta era uma aldeia de contrabandistas e aos poucos vai-se recuperando a memória e as histórias. É isso que o Mário, a Helena e a população de Cevide vão fazendo, com a ajuda da Câmara de Melgaço. É um projecto para continuar a valorizar as pessoas que cá estão, mas também quem visita o local. Num mundo globalizado, em que tudo é igual e muitas das vezes descaracterizado, ter territórios com identidade é muito importante para quem nos visita”.

O turismo é, por isso, a grande (e única) aposta que Cevide pode abraçar, num momento em que, apesar de alguns regressos, “não vamos voltar a recuperar a população (que outrora houve) nestes territórios”.

“Os turistas gostam de vir e de se sentir marcados pela experiência que lhes proporcionamos, e nós temos tradições, a nossa identidade toca-os”, reforça Ana Abrunhosa.

“Não são os ministérios que trazem pessoas para os territórios. Temos a Secretaria de Estado de Valorização do Interior a funcionar em Bragança todos os dias, não é apenas simbólico, mas o que fixa pessoas no interior é cuidar e valorizar os territórios. Garantirmos que há serviços públicos, que as pessoas tem qualidade de vida, sentirem que tem saúde, educação, cultura e as mesmas oportunidades que existem noutros territórios, com o adicional de que chegam ao trabalho mais rapidamente. Com a pandemia, muitos dos que se refugiaram no interior, agora não querem sair… E continuamos a sentir que há procura”, notou ainda.

 

Teria o maior gosto em que o próximo Governo mantivesse a pasta que tivesse a preocupação com os territórios do interior, seja qual for o Ministro”

 

No local onde “começa Portugal”, Ana Abrunhosa não quis deixar qualquer mensagem de conotação política, face ao período de campanha que se aproxima, mas quisemos saber qual o seu entendimento relativamente a um possível reset ao Governo, a 30 de Janeiro.

“O povo ditará se é um novo recomeço. Se tiver algum simbolismo, que seja para que haja um bom começo em 2022 e que todos participemos, sejamos livres nessas escolhas e que não deixemos de a fazer. Vamos a eleições, cabe ao Governo governar até ao último dia. Teria o maior gosto em que o PS fosse Governo com estabilidade e teria o maior gosto em que o próximo Governo mantivesse a pasta que tivesse a preocupação com os territórios do interior, seja qual for o Ministro”.


texto publicado na edição impressa de Dezembro 2021 do jornal “A Voz de Melgaço”


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