CIM Alto Minho com mais atenção ao sector da saúde: PRR é a “grande oportunidade” de renovação dos CS e “descentralização dos serviços para os concelhos”


João Martinho


Na última Assembleia Municipal de Melgaço, realizada no dia 18 de Dezembro 2021, o deputado do Partido Socialista, Maximiano Gonçalves recordou a tripla presidência de Manoel Batista, que lidera, além do executivo autárquico de Melgaço, a presidência da Direcção da Adriminho – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho e ainda, desde Outubro último, a presidência da CIM Alto Minho (Comunidade Intermunicipal do Alto Minho).

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Maximiano Gonçalves congratulou o edil de Melgaço e exaltou o “orgulho” devido pelas “presidências” que assume e que tem motivado, nos últimos tempos, várias visitas de Ministros do Estado, aproximando o poder central desta região.

Ao jornal “A Voz de Melgaço”, o autarca e presidente da CIM Alto Minho admite que a descentralização destas representações territoriais poderão trazer outra consciência sobre as necessidades dos dez municípios que integram este organismo regional.

“O sitio onde estamos, a nossa identidade territorial traz com ela um olhar diferente sobre as coisas. Por isso é que muitas vezes dizemos que é uma chatice termos o olhar de quem decide centrado em Lisboa. Porque quem está sentado em Lisboa e se identifica territorialmente com Lisboa, claramente não vai ter um olhar tão sensível e particular quanto será necessário para territórios que estão longe. O olhar da CIM, feito a partir dos municípios mais longínquos em relação à sede do distrito é claramente diferente e eu tenho esse olhar a partir de Melgaço. Acho também que posso ter uma perspectiva daquilo que devem ser as acções estratégicas da CIM um bocadinho diferente do olhar da presidência anterior, sem que haja aqui alguma afronta”, frisou Manoel Batista.

Também na assembleia municipal e posteriormente a este jornal, o presidente da CIM Alto Minho disse já ter pegado em pastas essenciais para a autonomia dos territórios, como é o caso da estrutura rodoviária e da saúde.

“Peguei já, no sentido de transferir para o interesse da CIM a questão da estrutura rodoviária do Alto Minho. Liderei esse processo durante dois anos e meio, a partir de Melgaço, e creio que hoje poderemos agarrar nisso a partir da CIM, porque tem importância relevância no processo da rodovia nos vales do Minho e Lima”, reforçou.

Já no que respeita à saúde, Manoel Batista indicou já ter reunido com o conselho de Administração da ULSAM [Unidade Local de Saúde do Alto Minho], para que se faça um levantamento de necessidades de casa um dos Centros de Saúde do distrito e, no âmbito do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), se possam financiar as melhorias.

Numa primeira análise, o novo presidente da CIM admite trabalhar uma estratégia que possa “retirar o foco de Viana do Castelo”.

“Embora seja importante o foco no hospital de Viana e porventura Ponte de Lima, onde temos também um hospital, é muito importante um investimento alargado ao território todo, a todos os municípios do Alto Minho. Estamos a trabalhar nesse sentido com a ULSAM e queremos agora no principio do ano [2022] alargar essa conversa da ULSAM para a ARS Norte e Ministério da Saúde”, adianta.

O PRR afigura-se “uma enorme oportunidade para a saúde, para que os territórios vejam renovados os seus equipamentos de saúde”, mas há em estudo a “descentralização dos serviços de Viana do Castelo para os concelhos”.

A ideia passa pela distribuição das consultas de especialidade pelos restantes Centros de Saúde dos concelhos alto-minhotos, essencialmente nos que possam definir pequenos núcleos centrais de serviços, além da capital de distrito.

“Julgo que podemos ter condições e a CIM já nos mostrou também essa ambição de colocar estrategicamente, não todas as especialidades em todos os municípios, mas deslocalizar para alguns municípios as consultas que permitam servir os territórios com mais proximidade, sem que as pessoas tenham de deslocar-se a Viana do Castelo”, antecipou Manoel Batista.

“O PRR tem um deadline [data de vigência] que é 2026, por isso temos que andar para conseguir que esses investimentos nos cheguem”, observou ainda.