Orçamento Municipal 2022: PSD critica estratégia que insiste num “modelo caduco”, Manoel Batista diz que oposição se limita a “bisbilhotar”


João Martinho

No momento de discussão do Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2022, o deputado do PSD, Manuel Rodrigues, criticou a visão de “país das maravilhas” que esquece a condição do país enquanto “terceiro país mais endividado da Zona Euro, que continua a divergir economicamente e socialmente com a Europa”.

O deputado recordou ainda a estratégia da Irlanda, “onde o PIB já está muito acima do pré-pandemia, aderiu à comunidade europeia aproximadamente quando Portugal. Nessa altura o PIB da Irlanda era duas vezes e meia menor que o de Portugal e actualmente é superior em mais de sete vezes”.

Sobre as opções do executivo socialista para 2022, Manuel Rodrigues considera serem “mais do mesmo” num documento “nada inovador, sem criatividade, uma continuidade de políticas que não servem”.

“Não se compreende que nos documentos apresentados não contemplem por exemplo qualquer referência à regularização e licenciamento das explorações de criadores de animais, a promoção e fomento da produção pecuária potenciando os recursos dos nossos montes, à criação da já prometida há vários anos zona de caça turística, a criação de Zona de Parapente junto ao parque eólico de Pernidelo, em Roussas, a recuperação dos edifícios da fronteira de São Gregório” apontou o deputado.

Manuel Rodrigues considerou ainda que as transferências de fundos para as freguesias são “residuais” face à despesa total estimada no orçamento.

Ainda durante a Assembleia Municipal, e no seu período de respostas, o presidente da Câmara refutou as acusações da bancada social-democrata, notando que o pensamento “revolucionário” para o concelho “está a acontecer e o posiciona muito bem”.

“Não andamos a fazer festarolas de selfies! Não me digam que, do ponto de vista industrial não temos a ambição necessária”, replicou ainda Manoel Batista. “A oposição limita-se a bisbilhotar o orçamento”, atirou.

 

Após a Assembleia, Manoel Batista elaborou o teor da sua declaração, explicando ainda o seu entendimento de que a oposição “não traz nada com cabeça tronco e membros” para a discussão do documento.

“Dizer que “não serve”, que “continua a ser mais do mesmo”, ou que “continua a ser pouco ambicioso” é um discurso que já ouvimos há muitos anos em relação ao orçamento. Depois a segunda intervenção trouxe-nos ali pequenas ideias sobre aquilo que do ponto de vista da oposição podiam ser grandes contributos. E são pequenas ideias em áreas onde nos temos construído um trabalho extraordinário, por isso classifiquei e continuo a classificar que a contribuição da oposição em Assembleia Municipal foi absolutamente razia, nada! Porque aqueles que nos acusam de falta de ambição não trazem para cima da mesa uma ideia com o mínimo de sentido de ambição, de vontade para o território a não ser dizer mal do que está contruído. Não trazem nada com cabeça tronco e membros”, reforçou.

 

Em relação às propostas PSD para o Orçamento Municipal, Manoel Batista considera ainda que a oposição está “baralhada”, porque “ou exigem coisas que não são exequíveis porque não se fazem contas, ou propõem coisas que já estão a ser feitas. E depois em alguns momentos, com um grau de esquizofrenia, porque aquilo que durante anos foi o foco principal para o desenvolvimento do território, de um momento para o outro deixou de ser”, atirou, explicando:

“Ainda durante o mandato do presidente [Rui] Solheiro e no meu primeiro mandato, o problema do território era não ter ambição industrial. De repente, o industrial está a desenvolver-se a uma velocidade que diria que nenhum município está a desenvolver neste momento e já não interessa nada e já não é ambição”, observou.

“Atacam em quê? Porque precisamos de fazer um investimento no parapente? Porque resolvemos o problema do município com uma zona de caça turística? porque precisaríamos de acertar os passeios? Fiz referência à bisbilhotice, não chamando bisbilhoteiro a ninguém, mas realmente não há nada de estratégico. A oposição dedicou-se a ver pequenos pormenores, que lhes podíamos chamar outra coisa, que não tem sentido nenhum se analisados convenientemente”, rematou o edil.

 

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