Projecto NUTRIR da ESDL vai ser replicado na Galiza: Manoel Batista quer instalar sede na antiga Alfândega de São Gregório


João Martinho


O projecto NUTRIR – Núcleo Tecnológico para a Sustentabilidade Agroalimentar (NUTRIR) ID&I, com sede na Escola Superior de Desporto e Lazer (ESDL) do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), em Melgaço, vai ser replicado na Galiza.

O projecto piloto, que foi apresentado no Campus Terra da Universidade de Santiago de Compostela, em Lugo, vai avançar nos concelhos de Cervantes, Friol, Mondoñedo, Muras e Sober.

“Depois do sucesso do NUTRIR no Norte de Portugal, este projeto piloto na Galiza pretende intervir territorialmente em prol da sustentabilidade agroalimentar, envolvendo os agentes presentes no território” explicou o presidente do IPVC, que marcou presença na cerimónia.

Carlos Rodrigues destacou a importância destas “alianças” com a Galiza para se criarem “uniões transfronteiriças” de forma a desenvolver um plano estratégico participativo e coordenado para detetar oportunidades, captar financiamento e ativar ações em prol do desenvolvimento rural.

O NUTRIR parte do centro de investigação do IPVC CISAS – Centro de Investigação e Desenvolvimento em Sistemas Agroalimentares e Sustentabilidade – para se dedicar à transferência de conhecimento científico para alcançar melhorias no território e tem como missão a caracterização territorial, avaliação das potencialidades e condicionalismos das principais atividades agrícolas da região e a vitivinicultura e a produção animal numa perspetiva de investigação, desenvolvimento e qualificação para suporte à inovação empresarial, dinamização económica e promoção da sustentabilidade territorial.

O NUTRIR preocupa-se com territórios de baixa densidade e baixa competitividade, sendo que a presença de estruturas de ID&I com recursos humanos altamente qualificados apresenta-se como crítica para catalisar a produção primária e agroalimentar em estreita articulação estratégica com o planeamento e sustentabilidade territorial, nomeadamente com as zonas empresariais.

Novo modelo de intervenção territorial avança em cinco concelhos

 

No caso dos territórios galegos, o NUTRIR pode agregar valor aos produtos agrícolas e às riquezas ambientais. NUTRIR Galiza é um projeto que responde à vocação do Campus Terra de coliderar a transformação do sector primário, em particular, no meio rural, através da formação de profissionais, a investigação aplicada e a transferência de conhecimento na região.

Na sessão do projeto piloto, que contou também com a presença do coordenador do NUTRIR, Nuno Brito, foi evidenciada a necessidade de valorizar produtos, paisagens e formas de fazer que tenham resistido no tempo.

No âmbito do projeto foram avançadas ainda as capacidades produtivas destes municípios nos setores da carne, do mel, da horta, da vitivinicultura, do queijo, do cereal, da castanha e dos cogumelos. A estas áreas específicas somam-se áreas transversais no eixo da nutrição e da educação médico-ambiental. Esta iniciativa exige também o envolvimento dos atores territoriais e administrações públicas.

O NUTRIR Galiza surge assim como um novo modelo de intervenção territorial de um ponto de vista que conjuga as capacidades do Campus Terra da Universidade de Santiago de Compostela e do IPVC no meio rural.

Impulsionado pelo município de Melgaço e coordenado por Nuno Vieira e Brito, ex-Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, o projecto NUTRIR pretende “transferir conhecimento para a produção, seja ela qual for, privilegiando os sectores da vinha e vinho e da produção de carne, nesta fase os sectores mais importantes”, destacou o edil de Melgaço, Manoel Batista, a este jornal.

A investigação poderá ajudar a “criar valor” e já tem já em curso o registo de marcas no âmbito do NUTRIR, garante o autarca.

Além de Monção e Paredes de Coura, que estão no grupo de trabalho “desde o início”, Manoel Batista avança que o NUTRIR “tem a ambição de abranger todo o Alto Minho”, na área de acção da CIM que engloba os municípios do distrito de Viana do Castelo. 

“A questão que se põe neste momento em muitos municípios é: O que é que está a ser feito em Melgaço que se ouve falar? Nós também queremos”, nota, num momento em que o projecto ganha um braço na Galiza através do NUTRIR Galicia, onde se acrescentou o sector da produção de leite.

Ainda que com crescente interesse regional, Manoel Batista quer que a sede do projecto seja em Melgaço e levanta a hipótese de instalar condições de investigação, trabalho da equipa e alojamento nas Casas da Alfândega de São Gregório (Cristóval).

“De momento temos duas pessoas a trabalhar numa sala da Escola Superior de Desporto e Lazer e vamos adicionar mais duas pessoas, mas já não pode continuar a funcionar naquela sala, vamos ter de encontrar forma de arranjar mais espaço. Com o crescimento que queremos que o NUTRIR tenha, precisamos de sedeá-lo em Melgaço, num espaço definitivo e com condições”, vincou o autarca.

Depois das tentativas sem sucesso em encontrar parceiros para fazer vingar os projectos na área social e turística, há agora “90% de probabilidade” – assegurou o autarca em resposta ao deputado do PSD Augusto Oliveira Pinto, na última Assembleia Municipal de 18 de Dezembro – em tornar as antigas casas da Guarda Fiscal e da Alfândega o edifício sede deste projecto de investigação.

“Não significa que não possa ter outros espaços de trabalho fora de Melgaço. Ponte de Lima é uma hipótese, até porque tem lá a escola Superior Agrária, mas a sede será cá e percebemos que aqueles edifícios, pela dimensão, podem ser uma boa proposta, que está já articulada com a senhora Ministra [da Coesão Territorial] Ana Abrunhosa”, indicou Manoel Batista.


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