#ÉsCura | Fevereiro 2022: Um motivo para se CELEBRAR O AMOR

 

Já perceberam como os dias são maiores?

…E parece que toda a natureza começa a sair do lento torpor que o inverno impõe, como se já se sentisse um leve despertar das árvores que anseiam pela primavera, da terra que quer ficar mais verde e do ar que quer receber borboletas e pássaros a cantar.

É o salto de Fevereiro, o mês mais curto do ano, tal é a ânsia de chegar a Março.

Mas antes disso, este mês enche-se de corações, comemorando o Dia dos Namorados, com uma homenagem ao S. Valentim.

«Modernices», dirão alguns!

Para outros, esta é mais um pretexto para reforçar a sua união. E haverá também aqueles para quem pode ser uma data custosa [porque nos é passada a imagem de que é uma celebração para as relações a dois, os tais ditos «namorados»]. Mas, muito além da finalidade romântica que se pretende com esta data do calendário, eu acredito que é um motivo para se CELEBRAR O AMOR.

O amor talvez seja um dos assuntos que mais tinta fez correr ao longo dos tempos em matéria de livros, poemas, teses, teorias ou divagações filosóficas.

Porque, no fundo, todos DESEJAMOS SER AMADOS. É uma das NECESSIDADES básicas do ser humano – e de todos os seres vivos!

Mesmo que haja espécies em que, logo depois do nascimento, a cria está já apta para o mundo e para todas as suas aventuras, a maioria de nós precisa de alguém que zele pela sua sobrevivência. A CONEXÃO é fundamental, pois logo que nascemos, precisamos de alguém que nos cuide e nos proteja, nos alimente e nos garanta uma resposta eficaz às nossas necessidades.

Há sempre muitas perspectivas de olhar para o que cabe, efectivamente, na vivência do AMOR. Mas, muitas vezes, ignoramos alguns dos seus ângulos, por conta da azáfama do dia-a-dia, o que faz com que esgotemos a vida na mera sobrevivência. E é essa reflexão que gostaria de trazer para este nosso espaço.

Quem trabalha a terra [mesmo que seja só em pequenos vasos], sabe da importância de prestarmos atenção ao SER que ali mora. Não sei se há algum milagre nisso, ou se apenas é uma questão da dinâmica relacional que estabelecemos com a planta: mas quanto mais cuidarmos dela, mais bonita ela fica.

No fundo, ao dar-lhe atenção percebemos se precisa de água ou se tem água a mais; se precisa de mais luz ou se está a apanhar sol a mais; se precisa de mudar de terra, ou se a terra precisa de ser estrumada. E tantas outras coisas. O que é certo é que, com estes cuidados, ela retribuiu-nos com o seu crescimento feliz.

Há quem diga que se trata de energia [e o amor é uma forma bonita de a concretizar], mas eu acredito que também tem a ver com olharmos com «olhos de ver» aquele SER VIVO que temos à frente: se percebo quais as suas necessidades, quais as suas preferências, o que ajuda ou não ao seu crescimento, tenho a oportunidade de contribuir para que aquela criatura se torne cada vez mais forte e viçosa; que dê flores; e frutos até, se for essa a sua natureza.

No fundo, este resultado é uma consequência da atenção e do cuidado que oferecemos.

E aqui está o amor que tanto procuramos!

Em realidade, quis trazer o tema do AMOR para chegar aqui:

Se em vez de uma planta, puséssemos nesse «vaso» a pessoa que nós somos?

Se fossemos nós a receber essa atenção e dedicação?

Se nos dispuséssemos a reconhecer aquilo que gostamos e precisamos, aquilo que nos ajuda a crescer e a ter jovialidade e brilho?

Se nos disponibilizássemos a garantir as condições que nos ajudam a florescer e a frutificar?

Se tudo isto fosse feito:

«Que transformações conseguiríamos nas nossas vidas [e em todas as vidas que se cruzam com a nossa]?»

O S. Valentim pode ser encarado como um convite para cada um de nós celebrar a relação consigo [o namoro com a pessoa que SOMOS].

Porque esta é a relação mais vitalícia que precisamos de ter e onde temos que semear o AMOR de maior qualidade que conseguirmos. Porque se assim fizermos, todas as demais relações que estabelecermos nas nossas vidas, serão marcadas pelo brilho e pelo crescimento que também a planta tem quando é cuidada.

Celebremos este mês com esta postura, e estaremos a abrir a porta a uma primavera pujante e a explodir de beleza!

Com carinho,
PaulaAlves