42graus Norte: A emergência do turismo rural e de natureza em Castro Laboreiro

O contexto pandémico tem acarretado um forte impacto sobre o comportamento do consumidor e, no setor do turismo, tal é também notório. Os operadores turísticos vêem-se confrontados com novos desafios tendo de repensar as suas apostas e abordagens. Conhecer os novos desejos, interesses e necessidades dos turistas será crucial para que possam ser desenvolvidas novas soluções e ofertas muito mais focadas na experiência proporcionada, na confiança e na segurança.

As empresas de sucesso serão aquelas capazes de construir relações de troca win-win seguindo caminhos distintos dos da concorrência, lançando novos produtos e mostrando capacidade de personalizar outras ofertas já existentes adaptando-as a um contexto mais restrito ou familiar que será uma tendência nos próximos tempos em turismo.

O foco dos turistas mudou e o foco das empresas tem de ser também adaptado, passando mais por estratégias de oferta de experiências únicas e diferenciadoras com uma base cultural e de aprendizagem num contacto de proximidade com os destinos.

O turista quer histórias reais e emotivas para contar aos seus amigos, para partilhar nas suas redes sociais, quer “stories” felizes e marcantes que vão arrecadar muitos “likes”.

Num ambiente de incerteza e mudança constante, as preocupações dos turistas voltaram-se, de forma crescente, para a segurança, para a ruralidade e a natureza. É uma espécie de regresso às origens, a tudo aquilo que nos faz sentir bem, em paz e tranquilidade sem aquele ritmo stressante da cidade, mas também sem termos de ficar fechados em casa quando há destinos incríveis para descobrir lá fora…

O turista passou a procurar o interior, o alojamento local e as casas rurais ou até outras tipologias, mas, preferencialmente, localizadas em regiões de baixa densidade populacional com proximidade a trilhos na natureza que permitam um escape seguro em família ou com os amigos mais próximos. Aumenta, assim, a procura pelo denominado turismo rural e também pelo turismo de natureza. É tempo de viver! É tempo de respirar ar puro e contemplar águas cristalinas.

Castro Laboreiro, Vila
Foto: António Candeias

Esta nova onda caracteriza a procura atual no setor. Os turistas evitam aglomerados, cidades e partem para os espaços naturais tais como parques nacionais, parques naturais ou reservas naturais. Aqui procuram permanecer em espaços o mais pequenos possível, familiares e menos “partilhados” em busca de privacidade, mas também de segurança. Muitos começam também a optar por preparar as suas próprias refeições ou então escolhem restauração mais tranquila, em horários mais desfasados e com cozinha tradicional / regional que lhes permita usufruir de uma experiência autêntica em relação aos destinos que visitam. A componente gastronómica é um fator chave.

À medida que o desconfinamento emerge e as medidas restritivas aliviam, o turista quer voltar, quer usufruir de uma refeição com produtos locais, confecionada em modo “slow-cooking” que lhe permita momentos memoráveis e mais umas partilhas nas redes sociais e umas “reviews” no Google, no TripAdvisor ou outros. O momento é para usufruir e partilhar. Acima de tudo: voltar assim que possível.

Castro Laboreiro (Melgaço) tem vindo a tornar-se um destino de excelência para este novo perfil de turistas que valorizam a criação de relações e interações geradoras de confiança com uma comunicação de proximidade com a qual se identifique. O relacionamento de longo prazo será a palavra de ordem para o turismo rural, um relacionamento que vai além das meras transações comerciais, passa muito mais pela criação de laços, pela geração de emoções. Aqui, Castro Laboreiro enquanto destino turístico marca pontos.

Pela sua localização no seio do Parque Nacional Peneda-Gerês, são múltiplas as atrações capazes de encantar: o Rio Laboreiro e seus desportos radicais, as cascatas e lagoas paradisíacas, os múltiplos trilhos que levam os caminheiros ao coração selvagem destas paisagens, a cultura castreja tão própria e peculiar que facilmente poderia ser candidata a património da humanidade, os monumentos e respetivas curiosidades, o traje castrejo, o cão da raça Castro Laboreiro, a gastronomia, as brandas e inverneiras, a música e os usos e tradições.

Todo este encanto da ruralidade tem conduzido a uma procura crescente por este tipo de destinos por dois grandes segmentos de mercado: os portugueses (que chegam à descoberta do seu país, do interior, numa procura de conhecer o que é nosso valorizando as suas origens) e os estrangeiros (que chegam por norma muito bem preparados sabendo o que os espera: o remoto, virgem e natural, a autenticidade e beleza, o parque nacional).

Os turistas valorizam os destinos que acompanham as suas vivências do dia-a-dia, as suas experiências pessoais oferecendo-lhes soluções integradas às suas necessidades e não apenas meros cabazes de produtos ou refeições num restaurante. Este tipo de proposta de valor por parte dos operadores turísticos trará uma perceção da criação de momentos únicos e memoráveis capazes de assegurar a manutenção duradoura das marcas de destino nas vidas dos turistas, como é o caso da marca “Visit Melgaço” que alavancou também as visitas ao concelho e, em particular, a Castro Laboreiro.

Castro Laboreiro apresenta uma oferta ainda não muito extensa de alojamento local e casas rurais, que enchem rapidamente em datas especiais e épocas festivas ou até mesmo ao fim-de-semana. Um facto interessante a destacar é que a procura tem vindo a diluir-se ao longo do ano, contrariando a sazonalidade tão peculiar ao turismo.

A verdade é que Castro Laboreiro, enquanto destino de natureza, consegue apresentar atrativos para as diferentes épocas do ano o que, aliado à tendência crescente de procura por espaços naturais criam as condições ideais para a visitação da região. Enquanto destino não desilude e é impulsionador da confiança, interesse e recomendação por parte dos turistas e visitantes.

A confiança sai também reforçada quando apostamos na partilha de comentários e avaliações de outros turistas. Assim, é fundamental apostar na reputação das empresas e marcas em turismo, procurando valorizar cada comentário ou avaliação positiva recebida. Um novo ou potencial comprador dos serviços, quando se depara com uma avaliação positiva sobre as empresas, sentirá muito mais confiança e procurará mais informações, criando logo um vínculo com a empresa.

Estas serão as estratégias de marketing turístico para quem quer acompanhar os movimentos e as tendências de um mercado em constante turbulência. As empresas que forem capazes de mudar o foco para estas vertentes o mais rapidamente possível, serão as que alcançarão um posicionamento competitivo mais vantajoso no mercado.

Castro Laboreiro, com todo o seu potencial, continuará a beneficiar da procura por turismo rural e de natureza, certamente!

 

Fotos: António Candeias