Festa do Alvarinho e do Fumeiro: Chef Vítor Matos vem assumir “uma história de paixão” pelo Alvarinho


João Martinho


No que ao cuidado com a gastronomia diz respeito, o Chef Vítor Matos – com estrela Michelin no Antiqvvm (Porto), chef e consultor em sete espaços – também volta à praça da gastronomia e do showcooking da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço para apresentar a harmonização temática “Alvarinho, uma história de paixão”, que decorre hoje, dia 22 de Abril, pelas 17 horas.

Aos que se perfilarem para assistir e provar, no final da apresentação, podem contar com os sabores que marcam a identidade portuguesa na cozinha, com a adição de glamour aos sabores e à apresentação, algo que defende para que a gastronomia portuguesa dê o próximo salto.

“Em Portugal há espaço para fazer a cozinha gourmet, a nouvelle cuisine, mas também uma cozinha portuguesa mais refinada, mais delicada. Temos de trabalhar mais as cores, as texturas. Normalmente, quando cozemos bacalhau, ou grelos, cozinhamos sempre tudo demasiado. Um bom bacalhau, cozinhado no ponto, assim como os grelos, fazem a diferença e respeitamos o produto e os sabores. Temos de transformá-los, sem os anular”, confessa o conceituado Chef a este jornal, numa das suas últimas visitas a Melgaço.

Se podemos ganhar estrelas [Michelin] com um cabrito assado? Se calhar não, ou sim, porque ainda ninguém se aventurou em ter qualidade e serviço ao mesmo tempo. Por vezes, quando temos um bom cabrito, não temos serviço, ou temos o serviço e não temos a comida, e precisamos da conjugação dos dois. A cozinha portuguesa e os chefs portugueses vão-se reinventar cada vez mais”, perspectiva Vítor Matos.

Para já, a sua luta é pela qualidade da cozedura e dos produtos utilizados na confecção e não dá tréguas aos “excessos”, desde logo “maus azeites, muita gordura, coisas muito cozinhadas”.

“Um bom bacalhau em Londres continua a ser um bom bacalhau, até para os ingleses. Agora, ou se gosta ou se detesta, mas não vejo qual o problema de o apresentar em Londres”, assegura.

Até os enchidos, com “cortes mais perfeitos” ou em “emulsão de enchidos” podem fazer sucesso entre os melhores pratos da gastronomia mundial e junto dos paladares mais reticentes à força do sabor da cozinha portuguesa.

Afinal, num dos mais conceituados espaços do Porto, onde foi distinguido com o Oscar da gastronomia, Vítor Matos diz que as suas melhores criações têm por base “os sabores vibrantes de cor que encontrei no Peru, no México, no Chile”.

Aproveitemos para descobrir que sabores pode o mundo trazer para que o Alvarinho brilhe nesta harmonia.