Festa do Alvarinho e do Fumeiro: Manuel Moreira vem educar-nos o palato para os espumantes e os vinhos que resistem ao tempo


João Martinho


Inicia-se hoje e até domingo (dias 22, 23 e 24 de Abril) a Festa do Alvarinho e do Fumeiro volta a encher o largo do Mercado Municipal, após dois anos de interrupção nos moldes que se tornaram emblemáticos de Melgaço.

Na galeria de expositores e venda de produtos há 27 produtores de alvarinho, 15 de queijos, fumeiro e produtos locais, quatro tasquinhas e nove instituições e empresas, de diferentes ramos que vão dar a conhecer o potencial da região num certame que atrai milhares de visitantes de vários pontos do país e da Galiza.

Dos vinhos alvarinho, ao fumeiro e ao artesanato, passando pelo turismo e pela gastronomia, a Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço reúne as características populares que estiveram na sua origem e a evolução natural assinalada ao longo destes 27 anos.

O sommelier da Revista de Vinhos, Manuel Moreira, é um habitué dos eventos ligados ao ex-libris de Melgaço e volta ao concelho para conduzir três provas comentadas de vinhos, sobre os temas “Todas as ocasiões são boas para espumantes de alvarinho”, “Alvarinho à prova do tempo” e “Os segredos da prova de vinhos”.

Hoje, dia 22, conduzirá a primeira prova no painel Conversas Sobre Alvarinho e o tema tem a ver com o produto que mais tem acrescentado valor e prestígio aos vinhos de Melgaço e da Sub-Região: “Todas as ocasiões são boas para espumantes de Alvarinho”.

Manuel Moreira tem acompanhado a evolução dos produtores presentes nestes eventos e assume que tem havido franca evolução “qualitativa e técnica do espumantes”, para a qual contribui uma “melhor compreensão sobre o tipo de produto, mais complicada que um vinho branco ou tinto tranquilo”, reforça, em declarações a este jornal.

“O espumante em Portugal é uma categoria que tem crescido nos últimos anos. Muito por via do turismo, de mercados emissores de turistas que são grandes consumidores e apreciadores de espumante e que naturalmente vieram e consumiram o espumante português e fizeram evoluir a indústria”, nota o sommelier, e garante que, em relação ao Alvarinho da sub-região, “o trabalho de promoção que tem trazido notoriedade, mas os vinhos tem correspondido a essa notoriedade”.

Ombrear com França deve ser uma preocupação dos produtores portugueses, no mercado dos espumantes? Manuel Moreira diz que essa é uma ‘guerra’ que a produção nacional não deve comprar, uma vez que os perfis de vinho são completamente diferentes e para eles há uma maioria de consumidores que poderá até beneficiar os espumantes de Portugal e os de monção e Melgaço em particular.

“O espumante de Alvarinho é totalmente diferente de qualquer Champagne. Tem características próprias. Há uma base de consumidores que se calhar são capazes de beneficiar o Alvarinho porque é mais aveludado, mais cremoso e redondo. O Champagne é mais agressivo na acidez, embora seja a mesma. Sente-se mais o lado austero e tostado, os espumantes de Alvarinho são mais frutados mais envolventes. Nessa questão de preferência pode ser que o consumidor prefira um espumante Alvarinho, que é mais confortável”, considera.

É tempo de mostrar sobretudo o produto da colheita de 2021, mas Manuel Moreira chama a atenção para as colheitas mais maturadas, e até para os espumantes que não precisam das tradicionais épocas festivas para serem apreciados.

“Temos espumantes com mais ou menos estágio, e todos eles conseguem ter altura de consumo perfeita. É um vinho de aperitivo, vinho para produtos de mar ou de mais conforto. É um produto claramente para todo o ano e há uma sintonia clara entre os espumantes e a gastronomia da região”.

É tempo de experimentar.

 

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