PARES aprova 2,7 milhões de euros para obras no Lar Pereira de Sousa e “Cantinho dos Avós”


João Martinho


Misericórdia de Melgaço teme que os 3,7 M€ orçamentados em 2020 sejam insuficientes devido à instabilidade dos mercados

 

A Santa Casa da Misericórdia de Melgaço viu aprovadas as duas candidaturas submetidas ao Programa Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais 3ª Geração (PARES 3.0) submetidas em 2020,  relativas ao redimensionamento da Residência para Idosos “Cantinho dos Avós” e Lar Pereira de Sousa.

No total, o PARES 3.0 apoia a Misericórdia melgacense em cerca de 2,7 milhões de euros, atribuindo ao projecto de remodelação do Lar Pereira de Sousa 2,2 milhoes de euros (taxa de financiamento de 72%) e ao redimensionamento do ERPI “Cantinho dos Avós” 495 mil euros (t. financiamento de 75%).

Alem da Misericórdia de Melgaço, que terá um aumento significativo de camas, somando 137 no final das intervenções; o programa aprovou ainda as candidaturas da Delegação de Melgaço APPACDM, com o alargamento do Lar Residencial que criará 13 novos lugares; o Centro Interparoquial do Alto Mouro, com construção de equipamento para 30 lugares de ERPI e Estrutura Residencial e alargamento do serviço de apoio domiciliário para 14 novos lugares; e a Associação Castro Solidário, com construção aprovada de equipamento para 20 lugares de ERPI e 30 para serviço de apoio domiciliário.

 

A Santa Casa da Misericórdia de Melgaço apresentou, em sessão que contou com a presença dos Irmãos, presidente da Câmara Municipal de Melgaço e representantes de entidades locais, o investimento a levar a efeito tão breve quanto possível.

O redimensionamento do “Cantinho dos Avós”, por ser “relativamente simples” e não implicar perturbações ao funcionamento dos serviços ou dos idosos instalados, “poderá estar concluída no prazo de um ano, ou até menos”, se iniciar “no próximo semestre” de 2022.

Já a intervenção integral no Lar Pereira de Sousa, “é uma obra mais complicada, exige um maior planeamento de obra porque está cheio e temos de criar uma ala nova. A cozinha vai para o espaço onde agora é a capela, que é o espaço disponível, e onde está a cozinha e armazéns nasce uma ala nova”, explica o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, Jorge Ribeiro, sobre a primeira fase de intervenção, indicando que “a ideia é que continue sempre tudo a funcionar, não há outra solução”.

Devido à instabilidade dos mercados, a Misericórdia terá de recorrer à banca para fazer frente a um investimento total que em 2020 se estimava em 3,7 milhões de euros mas que agora “acreditamos que ande nos 4,5 ou 5 milhões” considera o Provedor.

Sobre a necessidade deste aumento da oferta, Jorge Ribeiro é peremptório: “Há muito tempo que temos sempre a resposta lotada. A este ritmo, e estando a obra pronta, em poucos meses as camas a criarmos estarão ocupadas”.

O aumento também se verificará em termos de recursos humanos. “Temos uma estrutura com 120 colaboradores, não vamos necessitar de aumentar muito os nossos quadros, mas estaremos a falar de um aumento na ordem dos doze colaboradores, certamente”, perspectivou o Provedor.

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, deixou uma palavra de reconhecimento e louvor à tutela do sector social e ao Governo que, “em período de pandemia, lançou o programa PARES, o mais ambicioso de todos, que permitiu que muitas organizações tivessem financiamento”.

“No Lar Pereira de Sousa, é notória a necessidade de intervenção a acontecer. Tem trinta anos, foi, como qualquer outro equipamento, sofrendo o desgaste do tempo e da utilização”, notou, considerando que agora terá “um grande upgrade para poder continuar a ser uma resposta importante e de qualidade para os nossos idosos e para aqueles que chegam”.

“A somar aos projectos vencedores da Santa Casa da Misericórdia, de Castro Laboreiro, Alto  Mouro e APPACDM, temos um volume de investimento ímpar para o nosso município, que mais nenhum outro município no Alto Minho tem. Não vivemos bem com o mal dos outros, gostaríamos que todos tivessem tido a mesma dotação financeira, mas com mérito pelo trabalho feito pelas organizações e da maturidade dos projectos e pela forma como foram apresentados”, congratulou o edil.

“Sabem sempre todas as organizações que podem contar com a Câmara Municipal, tanto do ponto de vista técnico como financeiro, mas não podemos esticar muito o lençol, sob pena de ficarmos com alguma parte do corpo descoberta”, atirou ainda Manoel Batista, assumindo, no entanto, o compromisso de apoiar parte desta grande obra de cariz social do concelho.