V – Vinho (Alvarinho): Monção & Melgaço | O erro foi promover a casta (?)

Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo, desenvolveram o Projeto de Valorização da Casta Loureiro “Loureiro do Vale do Lima”, uma estratégia conjunta que visa promover o vinho, em articulação com o território. 

“Loureiro do Vale do Lima – um vinho, um território, um destino” é o mote para uma estratégia que tem como objetivo principal o incremento do enoturismo através do desenvolvimento de um conjunto alargado de ações de promoção e marketing do vinho verde, centradas especificamente na casta Loureiro, enquanto produto patrimonial e identitário da região do Vale do Lima, apostando numa marca territorial de grande valor”.

O que está acima é um excerto de um comunicado que, como o nome denuncia, comunica que os municípios do Vale do Lima estão a fazer uma aposta conjunta para promover o território tendo como ponto de partida o vinho da casta Loureiro.

Ora em 2015, no rescaldo do “Acordo do Alvarinho”, que alargou a exclusividade DO [Denominação de Origem] dos vinhos de Monção e Melgaço à restante Região dos Vinhos Verdes, alguns senhores com fatos em azul-marinho, sérios, camisas de marcas muito respeitáveis, que até pareciam estudados, diziam à comunicação social que o erro do passado foi comunicar a casta e não o território como terroir ideal para o Alvarinho.

Bom, há que pedir aos mesmos senhores que voltem a vestir as camisas de quadrados fininhos, de marcas que sim-senhor, para avisar estes burros [sarcasmo] do Vale do Lima que estão a promover uma casta que, ao contrário do Alvarinho, até está bem mais dispersa pelo território onde os vinhos são classificados como Regional ou DOC, isto é, praticamente toda a região Norte.

Se Monção e Melgaço (agora sob aquela marca que tem um caractere estrangeiro no meio) perdeu com este alargamento que se efectiva a partir da colheita deste ano, ainda não sabemos. É facto que as principais adegas e empresas do sector dos dois concelhos aguçaram o engenho e até melhoraram o seu produto e a forma de comunicar, por isso foi positivo. Agora, a nossa atenção serão os produtores de uva, que levam apenas as uvas para a adega e não esperam ver-lhe descontado no preço por quilo (quando as uvas cumprem os mínimos de grau alcoólico e qualidade estipulados) o preço dos aperitivos dos encontros do Acordo do Alvarinho.

Louve-se a Adega Cooperativa Regional de Monção, CRL  – a abreviatura é relativa a responsabilidade limitada e não porque esteja indignado com a direcção – que já adicionou Monção e Melgaço ao rótulo dos vinhos. Embora fosse bonito e bem que um dia, com este CRL ou outro qualquer, adicionasse Melgaço ao nome, como Ponte da Barca e Arcos de Valdevez estão a começar a fazer na sua comunicação. Isso é que é trabalhar em conjunto.

Ainda a propósito do Dia da Sub-Região [Monção e Melgaço], além da iniciativa da marca Soalheiro junto das escolas de ambos os concelhos e algumas iniciativas de outras pequenas marcas, há pouca chama em torno deste dia que deve ser um género de 25 de Novembro de 75 para a população da sub-região, assumindo de novo o controlo da máquina, não a governativa, mas a do sentimento do território e de um ex-libris que mantém grande parte da dinâmica que por aqui persiste.