DICIONÁRIO CRÓNICO: T – Telenovelas | A Causa de Jorge Lage na novela “Para Sempre”

T – Telenovelas | A Causa de Jorge Lage na novela “Para Sempre”

Numa das emissões de telenovela “Para Sempre”, da TVI, de que ninguém sabe ao certo a data de emissão porque quase ninguém por aqui viu, chamou-se “bandalhos” aos de Castro Laboreiro.

A partilha de um internauta indignado causou mais audiência que a própria novela, acabando a partilha nas redes sociais por criar o efeito perverso de empolar e trazer o insulto a mais gente do que a emissão do canal 4 teve.

Numa primeira impressão, parece-nos mais que foi Jorge Lage – um género de D. Afonso Henriques dos cães, já bastante conhecido deste conflito Soajeiró-Castrejo, a dizer qu’é dele, qu’é dele… – que deu uma chapada ao guionista da novela e escreveu ali cinco linhas de diálogo enquanto o ‘recibos-verdes’ estava a recuperar da bordoada.

Não vamos transcrever a cena, mas a propósito do desaparecimento da carrinha do padeiro, os actores em cena, num café, vestindo a pele de soajeiros, dizem que só podem ter sido os de Castro Laboreiro, porque já lhes roubaram as festas “e os cãezinhos”.

Ora, isto é uma obra de ficção, por isso é tão legítimo dizer que foram os de Castro como os de Cela… A mensagem é provocatória, mas não tem de responder perante os arquivos da Torre do Tombo.

Jorge Lage, o mentor da estátua do Sabujo que figura numa praça em Soajo, com explicações imensas nas laterias que quase se podia chamar o José Rodrigues dos Santos para romancear sobre isto, dizia a este que vos escreve que um dia o território da freguesia de onde sou natural já fora pertencente ao Soajo.

Pensei: “Queres ver que este estudado ainda me vai transformar o concelho [Arcos de Valdevez] em “Soajo e Arcos-Salvador”, deixando apenas o segundo para fazer o favor ao presidente da Câmara e pelo menos o edil assinar-lhe os Despachos?”

Cabe aos investigadores apurar os traços e origens da raça em fontes credíveis – o que me parece que está a ser feito – mas é claro que Jorge Lage teve aqui representada a sua luta.

Feitas as contas, foi um bom barómetro para medir o sangue na guelra dos castrejos e melgacenses que se sentiram atingidos por este insulto encomendado, e trazer de novo aos fóruns de discussão de hoje um tema que merece de uma vez por todas ser fundamentado e apresentado.

…E descobrir-se se afinal é Jorge Lage que, através do Google e do Paint, consegue fazer um trabalho mais sustentado e com potencial de divulgação; ou os grupos de trabalho de investigação que o município de Melgaço possa criar, com o rigor histórico que o tema merece.

 

Foto: retirada do blog “Soajo em Notícia”, da peça “Inaugurada estátua ao cão sabujo. Registo da raça é o desafio que se segue