#ÉsCura | Junho 2022 [Último]: Coisas de crianças

Usámos muitas vezes a expressão «são coisas de crianças» em jeito depreciativo, mas elas são seres incríveis que nos podem ensinar tanto acerca da vida! São tantas as lições que elas nos oferecem- a nós, que também já fomos crianças, mas que pelo crescimento, pelo esquecimento ou pela vida, parece um mundo tão distante que não nos pertence mais! Por isso, para este mês de Junho, escolho falar das CRIANÇAS, desejando que isso nos possa inspirar resgatar a sabedoria interna que guardamos em nós e que nos permitirá [com toda a certeza] viver uma vida mais plena e feliz!

Desde logo, quando encontramos uma criança, entramos num mundo mágico, com alegria contagiante, com uma presença leve e criativa e onde qualquer situação se transforma numa brincadeira! Tudo é vivido em função «do que posso fazer», do brincar, do rir e do que me faz bem! Se há algum problema, é criada logo uma solução improvisada, pois acreditam que tudo é POSSÍVEL, mesmo que as tentativas nem sempre tenham o resultado desejado.

Encontramos a verdade de quem mostra e expressa o que sente e pensa, sem filtros, sem medo do que os outros vão dizer, sem maldade ou segundas intenções: apenas seguindo o seu coração e aproveitando o momento presente. O passado praticamente não existe para uma criança [a não ser quando lhes prometes algo que a entusiasma] e o futuro é algo tão distante e tão desconhecido, que elas aproveitam o que têm, no aqui e no agora e são felizes com isso.

São genuínas, sinceras e espontâneas: são quem são e mesmo que isso possa gerar algum desconforto por algum motivo [tudo o que fazemos provoca uma determinada reacção], fica logo resolvido e volta-se à brincadeira, sem zangas ou rancores.

Encontramos nas crianças a curiosidade de quem tem sede de perceber o mundo e entender como as coisas funcionam. Não presume, nem assume: simplesmente pergunta, com espontaneidade e naturalidade, seguindo a sua vontade de querer saber [sem o medo da exposição, sem culpas e sem as dúvidas ou estereótipos que os adultos desenvolvemos à medida que deixamos de ser essa criança que simplifica as coisas].

E depois são aventureiras. Arriscam sem ter receio das consequências, encantando-se com o mundo a cada nova descoberta: uma criança tem o dom de se maravilhar em cada encontro, seja com uma flor, um animal ou uma situação «dita banal» do dia-a-dia. É como se visse a beleza em tudo o que descobre à sua volta, e faz uma celebração disso! E como é magnífico deliciarmo-nos com uma gargalhada delas!

[consegues imaginar os seus sorrisos abertos enquanto batem palmas por uma coisa qualquer?]

E até nisto as crianças são incríveis, porque a sua própria existência INSPIRA-NOS a sermos MELHORES. Uma criança faz com que queiramos ser EXEMPLO para ela: faz-nos sentir mais conscientes e responsáveis  pois queremos que elas nos vejam como alguém a imitar [não pelo que dizemos ou pelo que temos, mas pelo que fazemos e pelo que somos]!

E elas [as CRIANÇAS] precisam de nós [adultos], para poderem ser essas crianças alegres que se encantam com o mundo: uma criança só consegue ter espaço para ser essa criança, porque existem ADULTOS que zelam pelo seu cuidado e bem-estar.

Cabe-nos ajudá-las a crescer, criando espaços seguros para que desenvolvam todo o seu imenso potencial, com a confiança [e a certeza] de que são amadas incondicionalmente, simplesmente porque existem, e que serão protegidas em cada circunstância.

[E como todos precisamos do amor, da aceitação e da pertença]!

Cabe-nos a nós gerar oportunidades para que essa criança [que pode ser também a nossa própria criança interna] sinta que pode explorar o mundo e criar a sua magia sendo quem é, pois terá sempre resposta às suas necessidades, um colo onde se aconchegar, a compreensão que a educará, e o estímulo que a incentivará a ir mais longe a cada tentativa, antes de chegar ao sucesso que deseja!

Cabe-nos a cada um de nós contribuir para fortalecer essa criança, para que ela aprenda a manter o bom que já tem [a melhorá-lo até, à medida que se desenvolve] e a ajustar tudo o resto [investindo no que precisa de ser afinado, para que a melhoria se manifeste cada vez mais]!

Que aprendamos com as crianças que o importante é sermos quem somos, entendendo o «diferente» como parte do «ser únic@» e ESPECIAL!

E a «VIDA NOVA» que as crianças nos ensinam a descobrir a cada instante vai expressar-se também na nossa existência, sempre que nos conectemos com o coração, com consciência, com presença e com amor no AGORA e no TUDO que fazemos [e podemos fazer].

Para terminar esta partilha de hoje, e que é também a minha despedida deste espaço de rubrica mensal [com uma imensa gratidão pela oportunidade de usar este meio para espalhar palavras de reflexão e de incentivo a todos os que me permitiram ser sua companhia neste ano], escolho esta frase de um grande pensador, Dostoiévski:

«A alma é curada ao estar com crianças».

A  CURA que todos somos acontece quando nos conectamos com a essência do nosso SER incrível e ÚNICO, o que inclui também a nossa amada criança interna [que faz parte da nossa pessoa e está permanentemente connosco]:

SEJAMOS [cada vez mais] uma pessoa que ela admire e se orgulharia De SER.

Com carinho, até sempre!
PaulaAlves