Melgaço já tem 17 ucranianos a viver no concelho, alguns em vias de ingressar no mercado de trabalho local


João Martinho


Manoel Batista ressalva que, apesar dos exemplos de sucesso, “este acolhimento não tem de ser visto como a solução dos nossos problemas demográficos nem de mão-de-obra”

 

No âmbito da campanha de acolhimento de cidadãos provenientes da Ucrânia devido ao ataque russo àquele país, o Alto Minho já recebeu até Maio, mais de 300 pessoas.

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço e presidente da CIM Alto Minho, Manoel Batista, diz que Melgaço acolheu por sai vez 17 pessoas que foram “devidamente recebidas, acompanhadas na sua integração”, assim como os formalismos necessários.

“Estas pessoas estão integradas, não sabemos se ficarão ou não, mas algumas estão integradas em situação de emprego ou em vias de se integrarem em ofertas de emprego que existem no território”, adiantou Manoel Batista, ressalvando, no entanto, que este acolhimento “não tem de ser visto como a solução dos nossos problemas demográficos nem de mão-de-obra para a economia local”.

“Não sabemos se, depois desta primeira grande vaga de chegadas de refugiados a Portugal, vai manter-se ou não. Está a diminuir, mas temos de estar atentos para continuar a fazer o nosso trabalho, seja no âmbito da CIM Alto Minho, seja no município”, reforçou.

Face à barreira da língua, quando o inglês não poder se a ponte entre os locais e os ucranianos acolhidos, todos os contactos tem sido essenciais para estabelecer diálogo.

“Com alguma perspicácia, está a conseguir-se fazer esse processo. Um casal que já estava radicado em Portugal há uns anos tem sido importante na mediação, na tradução inicial. Também chegou uma ou outra pessoa que tem conhecimento de língua portuguesa e tem facilitado”, conta o edil e presidente da CIM, louvando a capacidade de aprendizagem da população ucraniana.

“Já em finais de 90, princípios dos anos 2000, Portugal recebeu muita gente vinda de leste e muita gente vinda da Ucrânia, e o que se verificou foi uma capacidade muito grande de aprenderem a língua e de se integrarem do ponto de vista linguístico também”, destacou o edil, enaltecendo a capacidade e sentido de cidadania da comunidade ucraniana chegada a Portugal e ao Alto Minho.