P.V.P. do Alvarinho vai ser mais alto em 2023? Alguem vai ter de pagar a factura, mas não necessariamente o consumidor europeu


João Martinho


A marca Soalheiro diz que é inevitável que o aumento das matérias primas e todos os constrangimentos provocados pela ofensiva russa à Ucrânia sejam reflectidos no preço da venda ao publico dos produtos de charneira.

Por outro lado, e com os olhos postos no mercado nacional e europeu, Armando Fontaínhas, presidente da Adega Cooperativa Regional de Monção, tem receio em transpor já para o consumidor, também vítima da inflação, o esforço financeiro a que a colheita de 2022 obrigou.

“O Soalheiro teve mais custos com esta vindima do que com as anteriores, claro, desde a energia, pagamento de uvas, combustíveis, mão-de-obra, tivermos de fazer um investimento muito maior no território. Depois também temos aumentos no preço das garrafas, de 20%, e nas caixas. Conseguimos aumentar no início de 2022 [o PVP do vinhos] e provavelmente vamos ter de fazer no inicio de 2023 outro pequeno ajuste”, prespectivou por sua vez António Luís Cerdeira.

“Estamos em mais de 40 países na exportação e temos uma grande dispersão do nosso trabalho, apostamos em inovação e em criar valor e tudo é um trabalho. O conjunto desta inovação, destes factores, é que nos traz tranquilidade. Se pensássemos apenas na crise de 2023, como poderíamos aumentar a uva em 10%?”, lança ainda o enólogo da família Cerdeira, adiantando que uma das apostas para 2023 é o reforço comercial da marca nos Estados Unidos da América, precisamente fora da União Europeia.

Armando Fontaínhas olha com mais reservas para 2023. Prespectiva “um ano complicado” que absorverá grande parte da margem do rendimento da Adega Cooperativa de Monção.

“A nossa margem operacional estreitou, mas estar a passar muitos aumentos para o mercado pode ser um problema. Até que ponto o consumidor final, que também está com o mesmo problema, vai continuar a suportar isto? Há um limite para passar esses custos para o consumidor, porque se aumentarmos os nossos preços no mercado podemos perder tudo, os clientes que temos e não ganhar novos”, considerou.

Leia o texto na íntegra na edição impressa de Outubro do jornal “A Voz de Melgaço”